Nos últimos tempos diversas matérias apontaram o aumento de casos de câncer de intestino entre adultos jovens. Estudos vêm sendo realizados para averiguar as razões por trás desse fenômeno e, hoje, apontamos algumas pesquisas que já foram apresentadas a esse respeito.
Gráficos: analisando o aumento e a redução dos casos
Em um encontro realizado no início de junho de 2023 pela American Society of Clinical Oncology, Christopher Lieu, oncologista e professor da Universidade do Colorado, instituição onde também é codiretor do Centro de Câncer, apresentou 3 gráficos que passavam as seguintes interpretações:
- Nos EUA, a incidência de novos casos de câncer de intestino em pessoas de 50 a 64 anos vem caindo no período de 1998 para cá.
- Nos americanos com idade superior a 65 anos, a redução também foi consideravelmente elevada
- A mortalidade nesses termos para essas faixas etárias também diminuiu
Porém, ao considerar um quadro mais amplo de idades, o índice de mortalidade não diminuiu na última década, e com um quarto gráfico apresentou-se o motivo: o aumento de casos entre os mais jovens.
Nos EUA é feita uma projeção de que até 2030, o número de casos de câncer de cólon por ano deve aumentar 90% entre indivíduos com idades entre 20 e 34 anos.
Câncer de intestino: causas
Em análises realizadas por patologistas foi observado que, em uma grande parcela de jovens, as células cancerosas do reto ou do cólon possuem características diferentes no aspecto molecular. Isso abre espaço para outra dúvida, no caso, se seria a mesma doença ou outro tipo de tumor.
Independente da resposta, a visão que se tem no momento é a de que essas ocorrências precoces de câncer de intestino estão ligadas a urbanização que facilita o acesso aos alimentos ultraprocessados. A ingestão desses alimentos, unida ao sedentarismo resulta na obesidade, um fator de risco para esse quadro. Porém, entre os jovens, a quantidade de pacientes com peso elevado é menor.
Uma possível causa apresentada na Asco seria o uso de antibióticos, visto que eles interferem nas bactérias que vivem no intestino.
Existem especulações a esse respeito, entre elas a de que crianças que nasceram por cesárea teriam uma microbiota que possivelmente deixaria elas com mais chances de desenvolverem um tumor no intestino, devido à falta de contato com o canal vaginal durante o parto. Além disso, isso poderia ser o mesmo caso para bebês que não contaram com aleitamento materno. Lembrando que essas são apenas suposições sobre o assunto e, não foram confirmadas. Como elucidado na matéria Câncer de intestino: por que ele se torna mais comum entre adultos jovens?, ainda não se sabe muito sobre o assunto.
Em uma pesquisa, Lieu notou que muitos jovens demoram para procurar ajuda e adiam marcar uma consulta médica por acharem que o que estavam sentindo não era nada demais. Por ser uma doença conhecida por se manifestar em pessoas com idades mais avançadas, esses indivíduos nem consideram a possibilidade de estarem com a doença.
Câncer de intestino: sintomas
Entre os sintomas de câncer de intestino, é possível citar:
- náusea,
- constipação ou diarreia.
- gases
- fezes com sangue,
- dores abdominais
- anemia.
Anemia e sangramento devem ser levados muito a sério, visto que são muito comuns. No entanto, Paulo Hoff, oncologista e diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, acha importante ressaltar que, apesar dos sintomas podem, sim, ter ligações com o câncer, não necessariamente correspondem a ele. Paulo entende que é essencial compreender que é normal ter uma dor de barriga de vez em quando, o importante é estar atento aos sintomas e a sua frequência. Outra dica é notar na espessura das fezes, pois quando estão muito finas é indício de que algo está atrapalhando a sua passagem. No entanto, se verificar a presença de sangue, deve ir direto ao médico!
Como detectar câncer de intestino?
Detectar o câncer de intestino de forma precoce contribui para o seu tratamento, pois as chances de cura são maiores quando a doença ainda está em seu estágio inicial.
Em um artigo publicado em janeiro deste ano pela Frontier in Oncology, dados apontam que, até 2030, a probabilidade de morte prematura por câncer intestinal na faixa etária de 30 a 69 anos pode aumentar em 10%.
Existem alguns exames que ajudam a diagnosticar essa doença, como a colonoscopia, o exame de sangue oculto nas fezes, e a retossigmoidoscopia.
De uma forma geral, o pedido médico para a realização destes procedimentos é direcionado para pessoas com sintomas, mas são recomendados também para qualquer indivíduo que esteja relacionado direta ou indiretamente aos fatores de risco.
Conclusão
Apesar de haver esse crescimento, os números ainda são bem mais expressivos em pessoas com idades mais avançadas. Isso foi elucidado por Paulo Hoff que ainda aponta que ele e seus colegas já haviam compartilhado há alguns anos dados referentes ao aumento do número desses tumores.
O que esse estudo deixa evidente é a importância e a necessidade dos programas de rastreamento, que permitem um diagnóstico precoce. É válido ressaltar que, se antes a recomendação geral era de que a colonoscopia fosse feita aos 50 anos, o ideal é que o exame passe a ser feito a partir dos 40.
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